Doença Renal Crônica

A Doença Renal Crônica (DRC) é a perda permanente da função dos rins, ou a evidência persistente de lesão renal por pelo menos 3 meses. Qualquer um pode desenvolver DRC, mas alguns indivíduos estão em maior risco, como:

 

  • Diabéticos
  • Hipertensos
  • Familiares de portadores de DRC
  • Idosos (> 60 anos)
  • Portadores de malformações congênitas

Como saber se o indivíduo é portador de DRC?

Através de exames simples, como a estimativa de taxa (ou ritmo) de filtração glomerular, exames de urina e medidas de pressão arterial.

Uma estimativa da taxa de filtração glomerular (TFG) pode informar ao médico o quanto os rins de um indivíduo estão sendo eficientes em filtrar o sangue e assim “limpar” o organismo. Antes de mais nada, o médico precisa do resultado da medida da creatinina sérica, que a seguir é colocado num cálculo que leva em consideração a idade, sexo e etnia do indivíduo. Pode-se calcular a TFG estimada em links disponíveis na internet (Calculadora da TFG estimada pelo método MDRD). Com o resultado do cálculo, o indivíduo poderá estar numa destas etapas da doença:

Resultado da TFG estimada

O que isso pode significar?

60 ml/min. ou mais

Sugere rins normais ou leve lesão renal.

30 a 59 ml/min.

Sugere lesão renal moderada.

15 a 29 ml/min.

Sugere lesão renal severa.

Menor do que 15 ml/min.

Sugere insuficiência renal (diálise ou transplante podem ser necessários)

Baseada em: National Kidney Education Program’s Suggestions for Laboratories (2007), disponível em www.nkdep.nih.gov/resources/laboratory_reporting.htm

Uma TFG estimada abaixo de 60 ml/min. significa que há algum dano renal. Nesta situação, deve-se procurar logo o médico para esclarecer-se e receber aconselhamento.

A TFG calculada desta forma é uma estimativa, e portanto não é sempre precisa, em especial em valores acima da 60 ml/min. Se uma TFG estimada está acima de 60 ml/min., o indivíduo deve perguntar ao seu médico quando é recomendado repetir este teste.

Quando os rins estão com lesão, eles podem deixar passar proteínas para a urina. O médico pode verificar se há proteínas na urina através de exames, dentre eles a microalbuminúria e a proteinúria (tanto em amostra de urina, quanto em urina de 24 horas). O aparecimento na urina destes elementos é na maioria das vezes o sinal mais precoce de doenças renais, em especial nas mais comuns (nefropatia diabética e nefroesclerose hipertensiva).

A hipertensão pode causar doença renal, ou ser um fator associado a outras doenças causadoras de lesão renal. A pressão arterialnormal é de 130/80 ou menor. Se a pressão arterial está elevada, deve-se buscar atendimento para controlá-la.

O diabetes é a causa mais comum de insuficiência renal. Todo indivíduo ser testado regularmente quanto à sua glicose em jejum de acordo com suas características (se familiar de outros diabéticos, se hipertenso, se obeso, etc). Se a glicose estiver elevada no sangue, isso pode ser um sinal de diabetes, e então deve-se buscar atendimento.

Quais as causas de DRC?

As causas mais comuns de DRC são:

 

  • diabetes,
  • hipertensão,
  • glomerulonefrites,
  • pielonefrite crônica,
  • doença renal policística,
  • doença renovascular,
  • malformações congênitas,
  • uropatias obstrutivas.

Quais são as complicações da DRC?

A complicação mais óbvia da DRC é a sua progressão para a falência renal, com necessidade de diálise e/ou transplante. Este processo pode ser mais ou menos rápido de acordo com a causa da doença renal (diabetes, hipertensão, glomerulonefrites, etc), o controle da hipertensão (quando associada), e características individuais (como o fumo, genética, etc). Além disso, o emprego de algumas medicações (como os inibidores da ECA ou antagonistas dos receptores da angiotensina II) tem mostrado capacidade de reduzir a progressão.

O segundo grupo de complicações diz respeito às consequências do progressivo mau funcionamento dos rins, como a anemia, a acidez do sangue, o acúmulo de componentes cuja excreção é feita pelos rins, a desnutrição, a doença óssea, a calcificação vascular, a hipertensão, etc. Elas costumam ocorrer com mais freqüência quando a TFG estimada está abaixo de 30 ml/min. O acompanhamento médico irá nesta etapa buscar reconhecer a ocorrência destas complicações e ajustar o tratamento, inclusive com a adoção de medidas dirigidas a aspectos específicos destas manifestações.

Por fim, há o fato de que se encontra nestes indivíduos um maior risco de eventos cardiovasculares como infarto cardíaco, morte súbita, derrames, e outros. Esta taxa de ocorrência cresce à medida em que se avalia pessoas com maior grau de perda da função renal. Além disso, observa-se que os fatores importantes para explicar estes fatos são diferentes à medida em que piora a função renal, o que justifica que sejam usadas estratégias diferenciadas na prevenção deste risco cardiovascular e explica a importância de atendimento especializado nas fases mais avançadas da doença renal.

Como é o tratamento da DRC?

O tratamento da DRC depende da causa da doença renal, da etapa da DRC e das doenças associadas. O objetivo deste tratamento é, tanto quanto possível, reduzir a progressão da doença renal, manejar as suas complicações e diminuir os riscos cardiovasculares e infecciosos associados.

Um dos recursos mais proveitosos para o controle da progressão da DRC é o emprego de medicamentos de duas classes terapêuticas: os inibidores da ECA (enzima conversora da angiotensina) e os antagonistas do receptor da angiotensina. Eles auxiliam no controle da pressão arterial, mas existem cuidados médicos especiais com seu uso. Além disso, há a necessidade de uma orientação a respeito da dieta adequada para cada etapa da doença.

Se retardada a evolução o suficiente, pode-se eventualmente evitar a falência renal e a necessidade de diálise ou transplante.

O indivíduo portador de DRC pode ajudar a reduzir a sua progressão:

  • Controlando a sua pressão arterial.
  • Controlando o diabetes.
  • Evitando certas medicações (veja a seguir).
  • Exercitando-se pelo menos 4 vezes por semana.
  • Comendo uma dieta renal.
  • Consultando seu médico regularmente.
  • Evitando fumar.

Há alguns comportamentos de risco que se deve evitar, quando se é portador de DRC?

Sim, em especial o uso não-prescrito de medicações (em especial os anti-inflamatórios não-esteroidais), o tabagismo, a ingestão abundante de sal na alimentação, e o excessivo ganho de peso. A exposição a contraste iodado em exames diagnósticos (em especial tomografias e cateterismos) deve ser cuidadosamente avaliada, pois esta substância costuma ser nefrotóxica. Muitas vezes podemos fazer outros exames em seu lugar que evitem o uso de contraste. Nas circunstâncias em que não há alternativas, existem medidas que podem ser adotadas para reduzir o risco pelo uso do contraste. O mesmo se aplica para um grupo de antibióticos chamados aminoglicosídeos, usados para o tratamento de infecções mais sérias e que também devem ser evitados.

Existe uma dieta apropriada para o indivíduo portador de DRC?

Sim. Quando os rins não estão funcionando bem, resíduos da alimentação acumulam-se no organismo. Uma dieta apropriada pode auxiliar muito na seleção de alimentos que contribuam menos com a produção de resíduos tóxicos e com o estado prejudicial à saúde causado pela doença renal. Para isso, um profissional nutricionista experiente deve associar-se no manejo desta situação.

Uma dieta adequada para a doença renal é essencial para pacientes em etapas mais avançadas da doença renal crônica. Entretanto, se a situação não é esta, devem-se evitar estas dietas, que basicamente reduzem proteínas e aumentam o valor calórico, o que pode ser inadequado por exemplo para diabéticos e obesos.

Dietas renais são ajustadas precisamente para as necessidades de cada indivíduo por um profissional nutricionista, que precisa trabalhar em perfeita harmonia com o médico e o restante da equipe, com conhecimento de quaisquer outras condições clínicas de tal forma a se obter o melhor resultado possível. Fazer uma dieta renal com informações genéricas e não ajustadas ao seu peso, estatura, biótipo, estilo de vida e outras condições pode fazer mais mal que bem.

A razão de comer menos proteínas deve ser entendida: todos precisamos de uma quantidade de alimento, o qual deve conter um tanto de proteínas e outro tanto de calorias, distribuídas estas na forma de carboidratos e gorduras, além das vitaminas e sais minerais. As proteínas são importantes, pois a cada dia sofremos um desgaste inevitável de algumas células em nosso organismo, e precisamos formar novas células para que os órgãos que perdem as originais possam continuar a cumprir suas funções. Estas novas células são construídas com pedacinhos de proteínas (os aminoácidos) oriundos das proteínas que ingerimos. Por outro lado, a ingestão de maior quantidade de proteínas do que o recomendado não acrescenta em utilidade ao nosso organismo, pois não temos a capacidade biológica para aproveitar esta quantidade adicional (tudo o que ingerimos além do recomendado) e para eliminá-la sobrecarregamos os rins e acumulamos mais e mais resíduos do seu metabolismo, o que pode produzir sintomas em pessoas com rins mal funcionantes.

Além disso, precisamos lembrar que são várias as fontes de proteínas na dieta, como as carnes, o leite e seus derivados, a soja, o feijão, ovos, etc. De acordo com a origem da proteína, podemos estar ingerindo tipos diferentes de aminoácidos, alguns mais importantes para nós, outros nem tanto. Assim, se temos de comer menos proteínas que antes, é importante escolher bem o tipo de fonte alimentar, pois assim nosso organismo pode contar com os aminoácidos de que necessita para a preservação da saúde.

É muito comum, ainda, a dificuldade de que os portadores de doença renal crônica mais avançada mantenham o peso corporal, principalmente por não ingerirem o suficiente em calorias. Para obterem sucesso na melhora de sua saúde, estes indivíduos devem tentar selecionar alimentos com suficiente carga energética para mantê-los saudáveis.

Para tudo isso é importante a participação do profissional nutricionista, pela aptidão e experiência para orientar sobre a dieta apropriada para cada um.     

Como saber quando um portador de DRC deve procurar um médico nefrologista?

   Os pacientes com DRC devem sempre procurar atendimento especializado quando tiverem TFG estimada abaixo de 30 ml/min., ou quando tiverem complicações da nefropatia que sejam de difícil controle, ou quando tiverem suspeita de doenças renais primárias como as glomerulonefrites (que requerem biópsia renal e cujo tratamento usualmente é complexo). Além disso, devem buscar o esclarecimento de seu estado de saúde com seu médico e esclarecer-se sobre a necessidade de atendimento especializado para cada momento da doença.

Leia mais em nosso site: 
Terapias renais substitutivas (TRS)

Links:
Diretriz sobre Doença Renal Crônica – Sociedade Brasileira de Nefrologia. In: Jornal Brasileiro de Nefrologia 2009; 31(1), suplemento 1.http://www.sbn.org.br/?jbnEducacional2

National Kidney Foundation (NKF) – http://www.kidney.org/kidneyDisease/ckd/index.cfm

DaVita – rede privada americana de serviços  de diálise. http://www.davita.com/kidney-disease/

Responsável: Dirceu Reis da Silva
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