Diálise Peritonial

O que é diálise peritoneal?

A diálise peritoneal (DP) tornou-se um método largamente aceito para o tratamento da insuficiência renal crônica desde a década de 1980, e hoje é a modalidade domiciliar mais comum. A DP utiliza uma fina membrana chamada peritôneo, que recobre internamente os órgãos abdominais, para realizar o tratamento, durante o qual um líquido especial chamado dialisato é colocado dentro do abdome através de um pequeno tubo flexível chamado cateter. Este cateter, ou acesso peritoneal, deve ser colocado alguns dias ou semanas antes da primeira diálise, através de uma pequena cirurgia, e normalmente permanece ali por quantos meses ou anos o indivíduo estiver neste tratamento.

Três condições precisam ser atendidas para o paciente ser aceito para este tipo de tratamento: (1) o paciente precisa ter motivação para aderir ao esquema de tratamento, (2) deve haver destreza manual básica, do paciente ou seu cuidador, e (3) deve haver uma membrana peritoneal capaz de acomodar o volume de dialisato e de cumprir com a função de filtro.

Como funciona?

A membrana peritoneal tem muitos vasos sanguíneos, dentro dos quais circula uma parte do sangue existente no organismo do indivíduo. Quando existe doença renal, acumulam-se na circulação sanguínea substâncias não-eliminadas pelos rins insuficientes, como potássio, uréia e outras. Na diálise peritoneal, o dialisato entra no abdômen através do cateter (implantado cirurgicamente), preenchendo este espaço. Este líquido especial tem a propriedade de trazer para si água e substâncias tóxicas existentes em demasia no organismo do paciente, e a sua drenagem e substituição por mais dialisato permite a eliminação destes excessos durante o tratamento. 

Na DP, as substâncias tóxicas passarão aos poucos para o dialisato, através das paredes dos vasos sanguíneos da membrana peritoneal. Depois de algum tempo, que varia de paciente para paciente, a solução é drenada do abdômen e a seguir volta-se a encher este espaço com a mesma quantidade de dialisato, para que o processo de purificação seja repetido. O tempo durante o qual o dialisato é mantido na cavidade peritoneal é chamado tempo de permanência. A etapa de drenagem e infusão é chamada de troca, uma vez que trata-se de fato da troca de um dialisato rico em uréia e outras substâncias, por outro novo. As trocas podem ser feitas manualmente, ou com o auxílio de uma máquina cicladora.

 

Treinamento:

A modalidade de Diálise Peritoneal requer a participação efetiva e contínua do paciente ou familiar, uma vez que costuma ser realizado pelo próprio paciente na sua residência. Para tal, existe a necessidade de treinamento e domínio da técnica antes do início do tratamento. O treinamento ocorre na clínica de diálise e é ministrado pelo enfermeiro responsável pelo programa de Diálise Peritoneal. Durante estes encontros são explicadas as bases do tratamento; as etapas para sua realização; os conceitos sobre resultados esperados e sobre possíveis complicações que podem surgir; assim como as atitudes necessárias para reduzir os riscos associados. O paciente é treinado na lavagem de mãos necessária antes de manipular o cateter, na limpeza de seu local de saída do cateter no abdome, no uso de máscaras durante as trocas e na verificação das bolsas de dialisato para evidências de contaminação. Os pacientes e familiares são treinados ainda quanto às evidências de infecção e outras complicações do tratamento, permitindo assim a rápida busca de ajuda quando necessária.

    A enfermeira responsável pelo treinamento não deixa o paciente sozinho fazendo o tratamento até ser concluído este processo de aprendizado e até ficar bem definido que há condições de segurança e conforto para isso. Existe ainda a disponibilidade de um plantão telefônico para ajudar a resolver problemas surgidos no domicílio do paciente durante a realização do tratamento.

 

Equipamento de diálise e modificações na residência do paciente

Se por um lado não há a necessidade de modificações na rede elétrica ou no encanamento das casas dos pacientes, por outro o paciente precisará de espaço em sua casa para o estoque de materiais destinados ao tratamento. Além disso, o paciente precisará de água corrente, eletricidade e ambiente limpo para fazer as trocas.

Com relação a equipamento, o paciente que fará DP automatizada irá receber uma máquina cicladora. Existem cicladoras portáteis de fabricantes diferentes que poderão atender às necessidades de pacientes diversos. Costuma ser colocada ao lado da cama do paciente, uma vez que o processo é projetado para ser feito à noite, enquanto o paciente dorme.

TIPOS DE DIÁLISE PERITONEAL

DIÁLISE PERITONEAL AMBULATORIAL CONTÍNUA (DPAC ou CAPD)

Neste tipo de diálise peritoneal cada porção de dialisato colocada no abdômen fica em média seis horas naquele espaço, durante as quais as transferências de líquido e substâncias dialisáveis são trocadas entre a circulação do paciente e o líquido de diálise. Ao terminar este período, este líquido é drenado, e após isso é feita uma nova introdução de dialisato, reiniciando o processo. Esta troca de diálise, que inclui a drenagem e a reinfusão do dialisato, costuma levar de 30 a 40 minutos, e na maioria dos casos é feita manualmente quatro vezes por dia.

 

 

DIÁLISE PERITONEAL AUTOMATIZADA (DPA)

O tratamento tem duração média de oito a dez horas, e é realizado durante a noite com uma cicladora. Com este equipamento, obtemos um controle adequado do volume e do tempo total da terapia, assim como do volume de infusão e de drenagem. Além disso, a máquina cicladora apresenta um sistema computadorizado que identifica e registra todos os alarmes ocorridos durante os ciclos de diálise. Graças a estas possibilidades, a DPA permite melhor adaptação do tratamento à individualidade dos pacientes sob o ponto de vista clínico e sócio-familiar. Proporciona mais facilidade de atingirmos a adequação dialítica e de atendermos às expectativas de disponibilidade pessoal para o tratamento.

Este tipo de suporte tecnológico garante maior conforto e segurança ao paciente, permitindo que o tratamento seja realizado à noite, enquanto o paciente dorme. O risco de complicação ou infecção se reduz significativamente devido a menor manipulação e abertura do sistema.

Responsável: Dirceu Reis da Silva
Sugestões para sgn@sgn.org.br  
Sociedade Gaúcha de Nefrologia
Centro Científico da AMRIGS - Avenida Ipiranga, 5311- sala 101 (das 12 às 18 horas)
Porto Alegre/ RS - CEP: 90610-001
sgn@sgn.org.br - Telefones: (51) 33367720 - 30142087