Transplante Renal

O transplante renal é uma das opções de tratamento para o renal crônico e é considerada a mais completa alternativa de substituição da função renal. Por isso, ao ser diagnosticado como portador de insuficiência renal, o paciente é sempre avaliado quanto à possibilidade de transplantar um rim. Existem, entretanto, pacientes que não poderão fazer transplante, por motivos como doença cardíaca, vascular, hepática ou pulmonar avançada, ou por não desejarem.

O Brasil tem um dos programas de transplante renal de maior êxito no mundo, refletindo o investimento governamental, o interesse de centros de assistência e de pesquisa, e a solidariedade da sociedade. No Rio Grande do Sul, há uma lista unificada composta de todos os candidatos a transplante renal, que são selecionados para o transplante a cada novo doador, o que proporciona uma melhor oportunidade de se encontrar uma dupla doador-receptor de maior compatibilidade. Os critérios de seleção do receptor são compatibilidade com o doador e tempo de espera em lista. Alguns poucos pacientes, com risco iminente de morte por faltar-lhes acesso para qualquer modalidade dialítica, podem receber o benefício de serem considerados prioridade após julgamento pormenorizado por dois outros nefrologistas que não os atendem em suas unidades. Crianças recebem o benefício de um fator que lhes favorece a escolha, uma vez que têm um ganho mais notório com o transplante renal.

Para serem considerados para transplante renal, os pacientes devem antes de mais nada passar por um processo de esclarecimento a respeito desta alternativa, de suas características, benefícios e potenciais riscos. Devem a seguir ser submetidos a uma avaliação pormenorizada a respeito de sua condição clínica, incluindo avaliações cardiológica, odontológica, urológica e ginecológica (se paciente mulher).

Existem duas fontes de rins para transplante: doador vivo ou doador falecido. O doador vivo corresponde a um indivíduo que decide doar um de seus rins ao paciente, e que faz toda a avaliação para submeter-se a esta cirurgia, objetivando (1) a demonstração de compatibilidade com o receptor, (2) o menor risco cirúrgico possível, (3) a inexistência de doenças infecciosas graves passíveis de transmissão pelo enxerto, e (4) a maior segurança possível a respeito do risco de doença renal futura neste doador. O risco para o doador costuma ser muito baixo uma vez que a investigação tende a excluir pacientes com doenças que levem a maior risco peri-operatório. Já o doador falecido representa o indivíduo que, por apresentar uma condição de morte encefálica, tem seu prognóstico admitido como irreversível e que conta com a generosidade da família que concorda com a doação dos órgãos passíveis de transplante. Este indivíduo passa também por uma extensa investigação que busca reconhecer a viabilidade dos órgãos, a inexistência de doenças infecciosas que imponham risco ao receptor, e a compatibilidade na lista de espera. Ambas as alternativas produzem bons resultados.

Os pacientes transplantados devem usar medicações destinadas a evitar rejeição durante todo o tempo que forem transplantados. O abandono da medicação pode ter sérias consequências como a perda do rim transplantado e outras complicações. Outros riscos, inerentes ao indivíduo transplantado, devem ser levados em consideração, e esclarecidos previamente com seu médico.

Dados da Central de Transplantes apontam para a realização de 320 transplantes renais em 2009, sendo 85 com rins de doador vivo e 235 com rins de doadores falecidos. Mas temos ainda, na lista de espera para transplante renal, um número grande de candidatos ativos: 1687 (dados de Janeiro de 2010).

Os pacientes renais crônicos em tratamento dialítico são encaminhados para centros de transplante renal existentes no Estado, onde passam pelo processo de investigação e são mantidos com reavaliações periódicas e coletas regulares de sangue para o acompanhamento imunológico. 

Responsável: Dirceu Reis da Silva
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