Anemia na Doença Renal

Anemia é uma situação em que temos menor quantidade de células vermelhas no sangue, o que acarreta um transporte insuficiente de oxigênio dos pulmões para os nossos órgãos. Isso faz com que todo o organismo fique sem produzir energia suficiente para suas funções, manifestando-se então por cansaço, dificuldade de concentração, perda do apetite, palidez e taquicardia. Em níveis pouco significativos, pode não ser percebida pela pessoa, a menos que ela tente fazer um esforço maior do que seu habitual. Quando ocorre de forma moderada ou mesmo severa, fica fácil perceber aqueles sintomas e sinais.

Sabe-se do diagnóstico de anemia pelo resultado da hemoglobina, do hematócrito ou do hemograma. Pessoas saudáveis, sem doenças crônicas, costumam ter hemoglobina em torno de 14g/dL e valores abaixo disto podem significar anemia. Quando há perda progressiva da função renal, a anemia pode ocorrer lentamente, e a pessoa acostuma-se com isso. Desta forma, não há sintomas importantes a menos que a pessoa tenha valores abaixo de 11g/dL. Nestas circunstâncias, pode ser necessário tratamento para este tipo de anemia.

Rins saudáveis produzem um hormônio chamado eritropoietina. Quando o organismo percebe que constantemente lhe falta oxigênio (como após sangramentos, ou em doenças pulmonares ou cardíacas), os rins são estimulados a produzir mais eritropoietina e liberá-la na circulação. Na medula óssea, a eritropoietina estimula a formação de mais sangue, que permite a melhora do transporte de oxigênio para todo o organismo. Ressalte-se que mesmo em condições de boa saúde os rins precisam produzir um pouco de eritropoietina todos os dias, já que uma pequena porção de nossas células vermelhas envelhece e precisa ser substituída. Entretanto, se os rins estão doentes, eles podem não produzir eritropoietina suficiente para regular a formação de novas células vermelhas do sangue.

Dentre as várias causas de anemia, o tipo mais comum de anemia relacionado à doença renal crônica é decorrente exatamente da deficiência na produção renal de eritropoietina. O indivíduo com doença renal por ser reconhecido pela primeira vez através da anemia, ou desenvolver anemia durante o acompanhamento de uma doença renal já diagnosticada previamente. De qualquer maneira, seu tratamento pode ser feito incluindo a aplicação da eritropoietina sintética (recombinante humana), para que sua anemia não se agrave. Saliente-se, entretanto, que este tipo de tratamento é feito levando em consideração características do indivíduo como a disponibilidade de ferro no organismo, outras causas de anemia (como as digestivas, as hemolíticas, e as carenciais), o grau de controle de hipertensão arterial (pois o medicamento pode elevar a pressão arterial) e o histórico de trombopatia (tendência a tromboses e a embolias). Outras causas de anemia relacionadas às doenças renais devem ser levadas em consideração em situações específicas, como aquelas que apresentam hemólise ou sangramento no trato urinário.

É importante que os pacientes com doença renal crônica tenham ferro suficiente em seu organismo para que exista a produção de ferro. Esta observação deve ser levada em consideração pois alguns pacientes têm perdas anormais de sangue (pelas fezes, por procedimentos de hemodiálise, etc.), ingestão insuficiente de alimentos ricos em ferro e até mesmo a utilização ineficiente do ferro acumulado no organismo. Os médicos nefrologistas irão auxiliar no reconhecimento destes aspectos diferentes do tratamento da anemia, e obter os melhores resultados para cada caso.

Muitos pacientes com doença renal crônica precisam ingerir quantidades controladas de proteínas, mas isso pode significar consumo insuficiente de ferro pois uma das principais fontes de ferro na alimentação são as carnes. Além disso, à medida em que os rins adoecem, existem interferência com a absorção do ferro a partir do intestino e seu posterior aproveitamento no interior do organismo. Isso de qualquer maneira justifica a importância de existir o atendimento de um profissional nutricionista durante todas as fases da evolução da doença renal crônica, orientando uma dieta suficientemente restrita em proteínas e fósforo sem prejuízo do acesso do paciente a fontes adequadas de ferro, vitamina B12 e ácido fólico.

Dependendo da causa da anemia do paciente (baixa produção de eritropoietina, nível insuficiente de ferro, ou ambos), otratamento poderá incluir medicações ou suplementos. O médico poderá prescrever o uso de eritropoietina sintética para complementar a quantidade de eritropoietina produzida naturalmente pelo seu organismo. Pode também indicar que se utilizem suplementos de ferro e vitaminas, sem os quais a eritropoietina prescrita pode não funcionar perfeitamente.

A anemia precisa receber atenção específica do seu médico nefrologista, ao longo do seu acompanhamento, em especial pelo fato de que modificações do seu plano terapêutico podem ser necessárias. O correto é que o paciente discuta suas preocupações e dificuldades com seu médico e seu profissional nutricionista antes de utilizar complexos vitamínicos não prescritos, ou provocar alterações em seu plano alimentar.

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Links sugeridos: 

Diretriz para o Tratamento da Anemia no Paciente com Doença Renal Crônica – Sociedade Brasileira de Nefrologia 2007.

http://128.241.200.137/itmfind.asp?qautor=&qrevista=2007;29(4 Supl.4)&qunitermo1=&qunitermo2=&qunitermo3=&qunitermo4=&qtit1=&qtit2=&qtit3=&qtit4=

 

Bregman R. Anemia na Doença Renal Crônica. Jornal Brasileiro de Nefrologia 2009;31(1-Supl.1): 3641.

http://www.sbn.org.br/pdf/diretrizes/JBN_educacional_II/7-Bregman.pdf 

 

National Kidney Foundation (NFK) – sobre anemia (em inglês).

http://www.kidney.org/atoz/pdf/AnemiaStage5.pdf

 

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