Doença renal crônica - prevenção

As doenças renais são muitas vezes secundárias a fatores e doenças preexistentes, e assim o tratamento destes é a base de qualquer prevenção. Esta seria a prevenção primária, que ocorre antes que a doença renal tenha se iniciado, e destina-se ao melhor controle possível do diabetes, da hipertensão e da exposição populacional a nefrotoxinas, como os antiinflamatórios não-esteroidais, os aminoglicosídeos, o contraste iodado, o carbonato de lítio, etc.

A prevenção primária pretende evitar o desenvolvimento de doença renal em indivíduos saudáveis, e representa o conjunto de políticas de saúde pública que possam desfavorecer o surgimento de hipertensão, diabetes e outros riscos para nefropatia. A redução do consumo de sal, o incentivo aos exercícios físicos, o abandono do tabagismo e a adoção de hábitos mais saudáveis são as principais estratégias para isso. Estima-se, por exemplo, que reduções modestas no consumo de sal possam diminuir substancialmente eventos cardiovasculares e custos médicos, e portanto deveriam ser uma prioridade de saúde pública.

A prevenção secundária destina-se a evitar a progressão da doença, nos indivíduos nos quais ela já se instalou. Muitos defendem que esta seria a intervenção populacional mais importante num contexto em que recebemos pacientes muito tardiamente e já sem opção de tratamento da nefropatia. Bastaria rastrear indivíduos com características de risco para reconhecer os afetados e implementar as medidas de controle adequadas para o momento identificado da nefropatia.

A prevenção terciária já é do conhecimento dos nefrologistas e corresponde à prática diária das unidades de diálise e transplante, mas não é particularmente efetiva uma vez que processos mórbidos iniciaram muito precocemente na vida destes indivíduos e muito do que se tenta tratar já está estabelecido e traz consigo suas conseqüências.

Estima-se que haja 1,4 milhão de pacientes com algum grau de disfunção renal na população brasileira. Isso corresponde à existência de 20 a 25 pacientes para cada indivíduo em diálise.

A recomendação preventiva (a nível secundário) mais importante é a de que grupos de risco para nefropatia (diabéticos, hipertensos, familiares de outros renais crônicos) devem ser cuidadosamente acompanhados pela verificação da pressão arterial, da glicemia, da função renal e da microalbuminúria. Esta seria uma manobra eficaz para reduzir a escalada assombrosa da doença renal em todo o mundo.  O emprego de inibidores da ECA e/ou de antagonistas do receptor da angiotensina II são fortemente indicados para o tratamento de portadores de microalbuminúria em qualquer grau.

Fontes:

Bregman R. Doença renal crônica. In: Barros E, et al. Nefrologia em consultório. Porto Alegre, ArtMed, 2007. P. 211-231.

Bibbins-Domingo K, Chertow GM, Coxson PG, et AL. Projected effect of dietary sal reductions on future cardiovascular disease. N Engl J Med 2010;362:590-9.

Leia mais em nosso site:

Dia Mundial do Rim.

Mensagem pelo Dia Mundial do Rim 2009: Hipertensão e Doença Renal – um casamento que deve ser evitado. 

Links:

Cartilha número 4 da Sociedade Brasileira de Hipertensão (sobre sal): 

http://sbh.itarget.com.br/arquivos/cartilha_04.pdf

Responável: Dirceu Reis da Silva
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